
O Brasil possui uma posição estratégica no mercado global de minerais críticos e estratégicos (MCEs), sendo detentor de reservas de quase todos os 24 minerais de sua lista oficial. Entretanto, o país encontra-se em um ponto de inflexão geopolítica diante da transição energética e do aumento dos investimentos globais em defesa. No estudo “Minerais críticos e estratégicos no Brasil – dilemas de uma agenda inadiável”, a Dra. Maria Amélia Enríquez, da Universidade Federal do Pará (UFPA), analisa essa posição destacando a tensão entre a pressão externa por matéria-prima e a necessidade nacional de desenvolvimento industrial.
A autora argumenta que o crescimento econômico real depende da integração entre o setor extrativo e a indústria de transformação, apoiada por investimentos em ciência, infraestrutura e inovação tecnológica. O estudo alerta que, apesar do potencial mineral, o Brasil ainda concentra sua atuação nos estágios iniciais da cadeia produtiva, o que limita os benefícios em termos de exportações, emprego e renda. Para romper o ciclo de exportador de commodities e promover o desenvolvimento de longo prazo, a prioridade deve ser a agregação de valor interna, superando o modelo de simples extração que não gera riqueza socioeconômica duradoura.
Nesse sentido, a pesquisa diferencia minerais estratégicos, como o nióbio, daqueles com alta dependência de importação, como o potássio, visando orientar políticas públicas mais assertivas. Para que o país aproveite janelas de oportunidade em cadeias como as de lítio e terras raras, propõe-se o fortalecimento de parcerias em ciência e tecnologia aliadas à adoção de salvaguardas socioambientais rigorosas. Tais medidas são fundamentais para garantir que a exploração mineral resulte em benefícios equitativos e sustentáveis para a sociedade brasileira.



