Webinar discute desenvolvimento sustentável e segurança pública na Amazônia 

O Centro Soberania e Clima (S&C), com apoio do Instituto Clima e Sociedade (iCS), realizou na última terça-feira, 23 de setembro, o webinar “Desenvolvimento Sustentável e Segurança Pública na Amazônia: Desafios e Sinergias”, segundo encontro do projeto “Cooperação Regional Amazônica: Integrando Defesa, Segurança, Desenvolvimento e Sustentabilidade”. O evento reuniu autoridades e especialistas para debater como o fortalecimento de políticas sustentáveis pode contribuir para enfrentar a criminalidade organizada e reduzir a vulnerabilidade socioeconômica na região. 

Segurança e sustentabilidade 

A relação entre desenvolvimento sustentável e segurança pública foi o eixo central da discussão. O avanço do crime organizado na Amazônia amplia a pressão sobre a floresta e intensifica a violência contra comunidades locais, que veem suas alternativas econômicas limitadas diante da expansão de atividades ilícitas. “Essa violência não se restringe apenas ao território da Amazônia, ela vai além, porque a degradação ambiental ocorre em todos os biomas brasileiros”, afirma Edel Nazaré Santiago de Moraes. 

Dados do Instituto Escolhas mostram que os territórios amazônicos estão entre os mais pobres dos países da região. A ausência de alternativas econômicas sustentáveis favorece a dependência de atividades ilegais, como o desmatamento, enquanto o crescimento da violência inviabiliza investimentos em cadeias produtivas legais. 

Esse ciclo de pobreza, ilegalidade e degradação ambiental é agravado pela presença de redes de corrupção e lavagem de dinheiro, que fragilizam a governança pública. “O crime ambiental deixa de ser apenas um problema isolado e passa a ser parte do crime organizado. Ele retroalimenta a lavagem de dinheiro do narcotráfico, gera grandes receitas para o crime organizado e está diretamente ligado ao garimpo e ao desmatamento”, diz Renato Sérgio de Lima. 

Comunidades locais e defensores ambientais 

As populações tradicionais e indígenas ocupam papel estratégico tanto na proteção da floresta quanto na resistência às pressões criminosas. No entanto, a violência contra defensores ambientais segue alarmante. O relatório “Vozes silenciadas” da Global Witness – que aborda a violência contra as pessoas defensoras da terra e do meio ambiente, mostra que, entre 2012 e 2023, a Colômbia registrou 461 assassinatos, o Brasil 401 e o Peru 58 – todos entre os dez países mais letais do mundo para quem atua na defesa da natureza. 

Além disso, os saberes de povos indígenas, quilombolas e ribeirinhos são vistos como essenciais para a mitigação, adaptação e resiliência climática, apontando para o potencial da bioeconomia e de práticas sustentáveis que dialoguem com novas tecnologias. “Os produtos que saem dessa bioeconomia de alto valor agregado têm o carimbo daquela comunidade, da sua história e dos seus valores”, conta Ismael Nobre. “As comunidades indígenas têm uma história de relação com a natureza que precisa ser ensinada ao restante da população”, pontua. 

O debate reforçou que a construção de um modelo de governança mais inclusivo exige a articulação entre Estado, comunidades locais, setor privado e cooperação regional entre os países amazônicos. Apenas dessa forma será possível criar um ambiente mais seguro, sustentável e resiliente para a floresta e suas populações. “Uma das grandes coisas que o Brasil conseguiu foi organizar uma economia robusta, mas isso aconteceu às custas de construir e destruir a Amazônia”, diz José Manuyama. “O grande esforço que temos que fazer é seguir olhando para os povos originários que viveram por milhares de anos ali”, completa.

Por Alexandre Barreto, assistente de comunicação.
Sob supervisão da Coordenação de Comunicação Institucional.

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