O Centro Soberania e Clima (S&C) reforçou sua presença estratégica no debate nacional sobre a relação entre emergência climática, segurança e defesa ao participar, no dia 25 de novembro de 2025, de dois eventos de alta relevância realizados no Rio de Janeiro. Representado pela pesquisadora Mariana Nascimento Plum e pelo pesquisador sênior e Coronel da Reserva Helder Guimarães, o S&C contribuiu com análises técnicas e recomendações fundamentais para o aprimoramento do planejamento das Forças Armadas diante dos impactos crescentes das mudanças do clima.
Durante o Seminário Internacional “Emergência Climática e Defesa: COP30 e impactos para as Forças Armadas”, promovido pela Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME) em parceria com o Observatório Interdisciplinar das Mudanças Climáticas, a pesquisadora Mariana Nascimento Plum integrou o painel dedicado a discutir os efeitos das mudanças climáticas na doutrina, nas operações e nas instalações militares. Em sua fala, Mariana abordou os desafios que as mudanças climáticas impõem às Forças Armadas e ao setor de Defesa. Com base em dados recentes que indicam 2024 como o ano mais quente de todo o registro observacional, sua apresentação detalhou como a mudança do clima atua como um multiplicador de ameaças, impactando diretamente a prontidão e a operatividade militar em diversas frentes.
Mariana destacou a necessidade urgente de que o Ministério da Defesa e as Forças Armadas realizem um mapeamento sistemático das vulnerabilidades climáticas de suas instalações, de modo a subsidiar planos de adaptação e investimentos voltados à resiliência da infraestrutura e dos ativos de Defesa brasileiros. O objetivo, reforçou, é assegurar as condições para o cumprimento das funções constitucionais e subsidiárias das Forças Armadas diante de um cenário climático cada vez mais instável. Ela ressaltou ainda que a adaptação climática na Defesa constitui um elemento central para a garantia da soberania e da segurança nacional, alinhando-se às recomendações apresentadas pelo S&C em seu relatório de 2023, elaborado após o Workshop Política e Estratégia Nacional de Defesa e Mudança do Clima. Segundo Mariana, “a adaptação da Defesa às mudanças climáticas é uma garantia de soberania. É hora de planejar a resiliência”.
O seminário contou ainda com a participação de Larissa de Santis Basso, pesquisadora do Instituto de Estudos Avançados da USP e professora do curso “Mudança do Clima e as Agendas de Segurança e Defesa”, iniciativa promovida pelo S&C. Ela apresentou a palestra “Os desafios para a Segurança Nacional e Internacional no Antropoceno”, discutindo as transformações geopolíticas e os riscos ampliados em um mundo aquecido. Também integrou o evento, a pesquisadora voluntária do Centro Soberania e Clima, Letícia Britto dos Santos (UNIPAMPA & OIMC), que abordou o tema “Insegurança climática como desafio de política externa: estratégias para o Brasil no pós-COP30”, enfatizando como o cenário climático pressiona a diplomacia brasileira a adotar novas diretrizes de atuação internacional.
No mesmo dia, o pesquisador sênior e Coronel da Reserva Helder Guimarães participou remotamente como palestrante do 1º Painel de Estudos Estratégicos do Comando Militar do Leste (CML), que discutiu ameaças e oportunidades no cenário mundial para o período de 2025 a 2040 e seus impactos sobre a geração de força do CML. Em sua apresentação sobre eventos climáticos extremos, Helder destacou uma robusta base científica que comprova o fenômeno das mudanças climáticas e a relação direta entre o aumento da temperatura global e as emissões de gases de efeito estufa. Ele apontou que a intensificação de secas, inundações, deslizamentos e outros desastres naturais tem provocado uma ampliação significativa das missões desempenhadas pelo Exército em apoio à Defesa Civil, tornando frequentes operações que, há poucos anos, eram consideradas excepcionais.
Helder apresentou, ainda, um comparativo entre documentos de alto nível de países como a Alemanha que já incorporou a crise climática como um multiplicador de ameaças, e as atuais diretrizes brasileiras de defesa, que ainda tratam o tema de maneira limitada ou indireta. O pesquisador concluiu defendendo que o Exército Brasileiro precisa aprofundar a reflexão estratégica sobre como adaptar suas estruturas, capacitar seu efetivo e fortalecer sua infraestrutura para operar em um ambiente marcado por eventos extremos, garantindo condições de resiliência e continuidade operacional.
A participação do Centro Soberania e Clima nesses dois espaços evidencia a crescente necessidade e relevância do debate sobre clima, soberania e defesa nacional. Ao dialogar diretamente com instituições estratégicas e contribuir com análises fundamentadas, o S&C reafirma seu compromisso com a produção de conhecimento aplicada às políticas públicas e com o apoio às Forças Armadas no enfrentamento dos desafios estruturais impostos pela emergência climática. O Centro segue atuando como referência técnica e analítica para auxiliar o Estado brasileiro no desenvolvimento de estratégias de longo prazo que garantam resiliência, estabilidade e segurança em um cenário global cada vez mais marcado pela instabilidade climática.



