A pesquisa evidencia como os eventos extremos e as transformações ambientais já em curso atingem de forma distinta as cinco grandes regiões brasileiras, gerando deslocamento populacional, insegurança socioeconômica e pressão sobre as cidades. O país carece de política de Estado para lidar com a situação.

O Centro Soberania e Clima torna público o Livro “Mobilidade Climática no Brasil: Migração, Território e Justiça Ambiental”, uma análise abrangente sobre os efeitos das mudanças climáticas e suas implicações diretas na mobilidade humana e nos deslocamentos populacionais no país.
A pesquisa destaca que embora todo o Brasil seja vulnerável, os impactos variam significativamente entre as regiões, refletindo vulnerabilidades históricas, estruturais e ambientais dos diferentes territórios. Os deslocamentos resultantes das secas, enchentes, perda de meios de vida e degradação ambiental têm impacto direto sobre a coesão social, a segurança alimentar, a infraestrutura urbana e os direitos das populações.
Na Região Norte, a alteração dos ciclos dos rios amazônicos compromete o transporte, o abastecimento e a subsistência de comunidades ribeirinhas e indígenas. No Nordeste, a desertificação e a insegurança hídrica impulsionam fluxos migratórios históricos e contemporâneos. O Centro-Oeste sofre com a degradação do Cerrado e do Pantanal, afetando a produção agrícola e gerando deslocamentos do campo para a cidade. O Sudeste, marcado por contrastes climáticos extremos, enfrenta crises hídricas e desastres naturais em áreas densamente povoadas. Já o Sul do país tem sofrido com eventos extremos cada vez mais frequentes, como enchentes históricas, ciclones e estiagens severas que têm efeito na produção agrícola e na infraestrutura urbana, forçando o deslocamento de milhares de pessoas e intensificando a precarização das periferias urbanas.
O estudo reforça a necessidade urgente de políticas públicas intersetoriais e territorialmente sensíveis, que reconheçam a mobilidade climática como um fenômeno já presente e em expansão no Brasil. A resposta à emergência climática deve articular justiça ambiental, proteção social e direito à permanência com dignidade nos territórios.

A autoria de “Mobilidade Climática no Brasil” é do pesquisador Bruno Magalhães, acadêmico especializado em migração, degradação ambiental, extrativismo e desigualdades pós-coloniais, com extenso trabalho de campo na América do Sul e do Norte da África. Bruno é atualmente pós-doutorando no Departamento de Antropologia da Universidade de Amsterdã (UvA), onde colabora com renomadas referências acadêmicas como Annemarie Mol e Amade M’Charek.
O Centro Soberania e Clima reafirma, por meio desta publicação, seu compromisso com a produção e disseminação de conhecimento crítico e qualificado, para subsidiar políticas públicas justas e eficazes frente aos desafios climáticos. Reconhecemos que a promoção de soluções sustentáveis que fortaleçam a soberania nacional devem considerar a mobilidade humana como um dos eixos estruturantes, garantindo o direito à permanência, à proteção e à dignidade de todas as populações afetadas.



